NOSTALGIA, ESCOLA “ 27 DE MARÇO”


De maneira geral, as pessoas guardam boas e/ou más nostalgias de outras pessoas com que conviveram, de lugares, enfim, por motivos simbólico em suas vidas. 
A nostalgia que aqui é trazida, é de um lugar de formação, de uma escola, a escola do 1º Ciclo do Ensino Secundário na cidade do Lubango, a Escola "27 de Março". 
Para quem a viu e a vê, esta escola outrora, período colonial, chamada “Escola Industrial e Comercial”, pode não a reconher pelas transformações que hoje se apresenta, tanto em nível estrutural quanto na gestão. Evidentemente, por imposição do tempo, ela teve de passar por transformações, sejam elas boas ou más às pessoas. O certo, e nisto parece que estámos todos de acordo, é que todas as mudanças ou tranformações que possam occorer numa escola, têm de ter o centro o aluno e outros actores que fazem a razão do seu objecto de ser. Porém, não é o que parece com a nossa "27 de Março", daí a razão do presente texto, cujo objectivo é fazer um retrato do quanto essa escola foi despida de formar alunos competentes tanto no domínio da teórica e prática. 




As razões a este olhar se sustentam sob o facto de que, esta escola deixou de ser um local de ensino formal preocupada com a aprendizagem do aluno, com o desenvolvimento do saber-fazer, embora, exteriioriza uma imagem estrutural de escola reabilitasa. Realmente, é imagem aconhegante.
Nesta escola leccionam-se as classes da 7ª, 8ª e 9ª, depois que começou a 2ª reforma educativa, antes, recebia apenas alunos para as 7ª e 8ª classes, e nesta altura tinha a deseignação de “Escola do Ensino Geral do III nível 27 de Março”.

Talvez se pode dizer que, esta escola é referência obrigatória na cidade do Lubango, dada o facto de ser a pioneira no ensino nestas classes, e muito conhecida por nela passarem muita gente residente e proveniente de outros quadrantes de Angola. Ela, não só apresentava esta dimensão de antiguidade, mas também possui uma imensa estrutura física, contemplando em quase, ou mesmo todas as dimensões de que uma escola deva possuir. Refira-se, a laboratórios equipados, biblioteca, sala de aulas organizadas, gabinetes para todas as disciplinas. Neste particular superava até mesmo escolas de nível médio da cidade do Lubango. Também é muito conhecida porque dela sugiram várias sucrusais que hoje possuem suas autonomias administrativa e pedagógica.
A dimensão da "Escola 27 de Março" com o que oferecia para aos actores do processo de ensino e aprendizagem, atraia os professores de nível superior o que certamente a eleva à categoria de uma das poucas que o país possuia neste nível com maior parte dos professores com ou a frequentar o ensino superior.  Sabe-se, de acordo com o sistema de educação de Angola, os professores para as escolas do 1º ciclo são formados pelas escolas médias de professores, as chamadas EFP. Mas, a "Escolas 27 de Março", talvez pelas sua projecção, tinha seu corpo docente acima do nível médio.


Hoje, mesmo com uma reforma educativa que se diz proporcionar maior qualidade de ensino no país, esta escola já não tem apenas professores de formação superior, nela também leccionam professores de nível médio e muitos dos bons professores também já não lá estão. 


Quem estudasse nesta escola, mesmo até em 2005, ainda podia ter aulas em laboratórios, além das aulas em salas convencionais, seja no laboratório de física, quiímica, matemática, biologia e geografica, para às práticas de  laboratório. Com certeza que os alunos e os professores ficavam maravilhados e convictos de que realmente estavam a ensinar e aprender!


Actualmente, esta escola está com um outro aspecto estrutural, externamente atraente (como vesse na imagem acima), mas dixou de ser a Escola em os professores e alunos tinham além das salas comuns de aula, laboratórios com material para quem estivesse a começar a entender a realidade de experiências laboratorias. A Escola “27 de Março” passaou a ser uma escola oca em oferecer estas condições aos actores da educação.


Oca, porquê? Reabilitaram-na, pintaram as paredes, trocaram o tecto, remodelaram os móveis da secretária, da sala dos professores, retiram todo o material dos laboratórios, mas não o restituiram, muito menos o substituiram por um outro. As salas onde funcionavam os laboratórios tornam-se em salas comuns. Os laboratórios deixam de existir, agora já não é a "Escola 27 de Março" que o fereciam condições para os alunos e professores fazer experiências laboratórias. Tornou-se numa escola vulgar, que já não alia a teoria à prática do ensino e das aprendizagens. 


Tudo mudou, e niguém questiona o destino, as tranformações na escola que só a deixaram de visual exterior bonito.


A Escola “27 de Março” perdeu os seus mais prestigiados laboratórios depois de ser reabilitada, tornando-se em salas rigorosamente vazias. Contrariamente ao que se esperava,  essa escola foi reabilitada para debilitar os alunos e desafiar a criatividade e competência dos professores, para não falar dos problemas de energia electrica e água. Estes dois problemas, mesmo antes da reabilitação da escola, já eram problemas.


É difícil entender por que em 2006, antes da  reabilitação geral da escola, havia sido apenas remodelada e equipada uma única sala que passou a ser sala de informática com cerca de 35 computadores. Ou seja, ao laboratório de matemática colocam-se novas portas, janelas e pintaram-se as paredes para tranformá-la em sala de informática, e ainda (nescessariamente) colocaram aparelho de ar condicionado. Na altura, apenas uma parte do interior da escola era nova (a sala de informatica), menos o tecto que, em tempos de chuva permitia entrar água no interior da sala. 


Para inaugar a única sala de informativa estava o governador da provincia, Sr. Francisco Ramos da Cruz. 
As aulas de informáticas de que se esperavam não aconteciam, a dita sala de informática passou a ser mais uma sala para trabalho administrativo que para ensinar os próprios alunos. Aos alunos a quem se destinava a pompousa inovação no ensino não tinham as esperadas aulas de informática. Será falta de professor? O autor não encontrou resposta!
Passado algum tempo, cerca de um ano, a escola foi reabilitada, inclusiva a já reabilitada sala de informática. O certo é que após a reabilitação geral, o número de coputadores não era o mesmo, diminuiram, os laboratórios desapareceram completamente, deles só tem lembranças das salas onde funcionavam.


A Escola “27 de Março” cria nostalgia e lagramas aos olhos para a quem a conheceu e volta a visitá-la. Será que essa escola terá, um dia, as mesmas ou melhores condições de ensino? Não se sabe, mas, há bastante ceticismo em isto vir a acontecer, porque está a reforma de que se tinha esperança para melhorar o sistema educativo e de ensino, nada!!! 


Os alunos da Escola de Formação de Professores do Lubango, já não terão possibilidade de fazer experiências laboratoriais na Escola "27 de Março", a menos que o governo  perceba na prática, que para formar bons professores precisa dispor condições de trabalho.  "Enterram" a Escola "27 de Março"!!


As coordenações da Escola de Formação de Professores do Lubango viam a Escola “27 de Março” à salvação de aulas práticas aos futuros professores. Se esses futuros professores se formam sem saber realizar experiências laboratorias (para as ciências exactas), se forem trabalhar na Escola "27 de Março", não terão problemas porque também, lá já não se trabalho em laboratório. Será uma alívio!


Da Escola "27 de Março" restam apenas lembranças e tristeza de quem a configurou inicialmente com condições de trabalho laboratoriais porque pensou no ensino não só do saber e saber ser, como também do saber-fazer.


Aquela escola também já não tem bibliteca, esse lugar passou à depósito desarranjado de livros dispersos e local de entrega dos cartões de alunos e para venda de folhas de provas.


A Escola "27 de Março" ficou abandonada. Será  que um dia, poderá ser amparada? Oxalá não seja tarde!

© ALFREDO, Francisco Caloia, Docente na EFPL e EPL, 2010

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