RELAÇÃO ENTRE O CAPITAL HUMANO E A NECESSIDADE DE MELHOR FORMAR O CORPO DOCENTE UNIVERSITÁRIO

Importa, no presente texto de análise, destacar dois eixos que se mostram basilares nesta abordagem: capital humano e formação do corpo docente do ensino superior.
Começo com a citação de RAMOS (2003) segundo a qual o capital humano é entendido como “ o conhecimento que cada indivíduo adquire e que depende do seu investimento pessoal em educação/formação”.
Esta abordagem sobre o capital humano repousa sobre a teoria com o mesmo nome, e ainda na senda de Ramos, a teoria do capital humano assenta em hipóteses fundamentais da teoria neoclássica de racionalidade individual sancionada pelo mercado e agregada socialmente.
Na teoria do capital humano (Ramos 1990, 2003) a ênfase recai na formação, isto é, todo e qualquer investimento que se queira fazer em qualquer domínio deve começar pelo homem ou seja pelos recursos humanos, neste pacote relativo a formação há que se ter em conta a educação escolar e os programas de formação como elementos constituintes do capital pedagógico. Sendo que, a teoria neoclássica baseia as teorias sobre o mercado de trabalho em certos pressupostos como a homogeneidade e a transparência.
Os desdobramentos com que a teoria do capital humano se ilustra no quadro da formação, estabelece a qualidade e a profundidade da formação atribuindo-lhe o crescimento intelectual, sóciopsicológico dependente em certa medida das aspirações de cada seja no meio escolar propriamente dito seja fora dela.
Formar um docente para o ensino superior pressupõe dota-lo de ferramentas oportunas para fazer face aos desafios escolares assim como sociais. Por isso, é deveras importante que a actuação do professor deve estar revestida de precaução no sentido de despir-se da velha ideia de que o professor está na sala ou na escola para ensinar e os alunos estão ali para aprender.
Apegar-se ao ensino tradicionalista seria extinguir a profissão docente, pois, facilmente os meios tecnológicos disso se podem encarregar (recorrendo a internet, aos jornais). Ora, a profissão docente não se pode apresentar na verticalidade, sobretudo no ensino superior, ela é mais exigente e aberta que para além da sua transversalidade, deve também estabelecer-se na horizontal.
Deste modo, a necessidade da formação do docente do ensino superior também recai na possessão e no desenvolvimento de competências e habilidades que o permitam adequar as suas práticas aos saberes teóricos e práticos.
Os saberes teóricos e práticos podem ser compreendidos, segundo ALTET (2001), da seguinte forma:Saberes teóricos: 1- Saberes a serem ensinados (disciplinares, transpostos didacticamente); 2- Saberes por ensinar (incluindo pedagógicos sobre a gestão interactiva em sala e aula, didácticos nas diferentes disciplinas e os da cultura que os está transmitindo).
Saberes práticos: 1- Saberes sobre a prática (saberes procedimentais sobre como ensinar ou formalizados); 2-Saberes da prática (oriundos da experiencia, produzidos da experiencia que teve êxito).
Nesta conformidade, o docente do ensino superior deve abalizar-se e procurar lidar com todos os procedimentos conducentes a aprendizagem evocados pelas teorias de aprendizagem. Isto quer dizer que, a sua actuação do docente do ensino superior não pode deixar de parte a compreensão das teorias por exemplo do condicionamento e as cognitivas.
Abalizar-se sobre as teorias da aprendizagem possibilita a que o docente intervenha de forma construtiva e participativa na superação das dificuldades do aluno e encontrar estratégias viáveis para melhor orientar a progressão do aluno como também aperfeiçoar e enriquecer a sua actividade quotidiana.
Por Francisco Caloia

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